• O velho de ontem é o jovem de amanhã

O velho de ontem é o jovem de amanhã

01 de agosto de 2019 \\ Geral

Tomar aspecto de velho, de idoso ou de antigo. Essa é a descrição ultrapassada que encontramos quando fazemos uma busca pelo significado de Envelhecer. Mas tais conceitos tendem a mudar, uma vez que o Brasil será considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), um país envelhecido em 2032, quando 32,5 milhões de pessoas terão 65 anos ou mais.

Iniciamos um período de grande desafio para todos nós. O jovem precisa mudar esse olhar de coitadismo que é posto sobre os velhos, inclusive parar de achar que o idoso precisa deixar de trabalhar e se tornar inútil, e construir os aspectos necessários à sua própria longevidade. A mudança passa também por quem chega aos 60 anos mais ativo do que nunca, mas precisa estar ancorado em uma série de pilares, dentre eles as políticas públicas e o entendimento psicológico sobre a sua condição.

Somente atingindo a terceira idade, muitos percebem que a mente não envelhece, mas o corpo precisa estar em constante movimento. A alimentação é cada vez mais restritiva e requer o acompanhamento de um profissional, as amizades se tornam esvaziadas do convívio tanto porque não foram nutridas quanto pela falta de saúde de alguns. E para quem não se preparou financeiramente, a velhice se limita às condições básicas de sobrevivência.

Ao perceber que o envelhecimento e os aspectos ligados a ele são pouco discutidos, e com a perspectiva de mudar o olhar das pessoas sobre essa fase da vida, duas amigas, Rosângela Correia e Ana Figueiredo criaram o Projeto Maduramente. “Somos uma gota no oceano, mas pelo menos iniciamos debates importantes em Salvador.

Trouxemos Alexandre Kalache, o maior especialista em longevidade, conhecido internacionalmente, falamos sobre previdência, promovemos uma bela exposição fotográfica sobre o tema e seguimos realizando palestras e bate-papos com o intuito de preparar as pessoas para a realidade da longevidade”, destacam.

A tão buscada longevidade foi discutida pelo gerontólogo Alexandre Kalache, no mês de abril, em Salvador, a convite do Projeto. Além de transmitir dados sociais sobre o envelhecimento, comparando as estatísticas mundiais com as do Brasil, o especialista deu algumas dicas de como ter um envelhecimento ativo. “A sociedade precisa ter a oportunidade de ter uma educação continuada ao longo da vida, aprender sempre, em todas as áreas. Investir na saúde, na alimentação, não beber em excesso, não fumar, com isso você vai continuar ativo. Se preparar financeiramente para não ter problemas com dinheiro aos 80 anos, investir em seguro, previdência, poupar. Desenvolver e manter as relações sociais, ter amigos, família, alguém que cuide de você”, pontuou.

O projeto conta com diversos colaboradores que dedicam um pouco do seu tempo para transmitir conhecimentos através do blog e redes sociais. É o caso do psicólogo Romero Magalhães, que ressalta a importância das relações no processo de envelhecimento e da aceitação de cada uma das fases da vida, sob a ótica psicológica do ser.

“A nossa cultura estimula muito a condição de manter-se jovem, e com tantas ferramentas de rejuvenescimento no mercado, muitas vezes queremos driblar as marcas do tempo. Tudo bem quanto a isso, mas é importante lembrarmos que o corpo tem o seu tempo e é preciso considerar e incluir isso no processo, sem negar. Outro aspecto são as relações que vamos construindo ao longo da vida, a nossa qualidade de existência está ligada diretamente a isso, bem como é fundamental considerar o protagonismo e a autonomia do idoso, dentro do que ainda é possível de se fazer. Vou dar um exemplo: se a pessoa tem limitações para ir ao mercado sozinha, seja por locomoção ou pouca memória, é interessante que o acompanhante dê a essa pessoa o poder de escolha das compras”, pontua.

Outro colaborador que também compartilha de conhecimento sobre a longevidade é o médico Dr. Márcio Santana. Durante um bate-papo do qual participou no lançamento do Projeto Maduramente, ele diz que uma das coisas primordiais para quem está envelhecendo é ter objetivos. “Velho é o mundo e ele não para. Por isso, crie objetivos de vida, mesmo que pequenos, isso lhe trará motivação. Faça fortalecimento muscular em casa, se não tiver condições de ter um acompanhamento profissional, pesquise na internet. Se não nos cuidarmos, vamos ter dificuldades até para subir uma escada”,afirma o especialista.

Reflexão

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), em 2000 a população idosa com mais de 60 anos era de 14,5 milhões de pessoas. Hoje, ultrapassa os 29 milhões e a expectativa é de que, até 2060, suba para 73 milhões, um aumento de 160%.

Essa mudança, reflexo de grandes transformações na qualidade de vida dos brasileiros, bem como na redução da taxa de fecundidade, aliada a questões sociais como a intensificação da inserção da mulher no mercado de trabalho, convida-nos a refletir sobre a necessidade de maior atenção com a parte da população que passa dos 60 anos. Longe da crença que se alimentava no passado a respeito das pessoas idosas, essa fase também pode ser vivida plenamente, com saúde e realização pessoal.

Mas para que isso realmente aconteça, é preciso que a sociedade se prepare para a longevidade, que os governos desenvolvam políticas públicas no intuito de fortalecer tanto os indivíduos quanto às famílias, para que tenham acesso às condições necessárias de ter uma vida saudável em todos os aspectos: físico, psicológico, espiritual, alimentar, social e até mesmo financeiro.

Fonte: Lívia Lemos / DRT 3461 / Jornalista – Assessora de Imprensa do Projeto Maduramente

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