Potencializando Nosso Turismo
30 ABR 2012 - 11:45hO leitor já deve ter visto inúmeros filmes em que nos são apresentadas cidadezinhas americanas ou europeias com um cem número de atrações turísticas. Não faltam marcos que retratam momentos históricas como encantos. Quem não já viu (nem que seja no cinema) cartazes com dizeres mais ou menos assim: "Aqui George Washington dormiu por uma noite", "Abraham Lincoln cuspiu neste chão", "Foi aqui que Benjamin Franklin estudou seu primário”, e assim por diante. No entanto, por mais grotesca que seja, cada cidadezinha tem umas sete ou oito atrações turísticas bem documentadas em um panfleto disponível em toda pousada e todo hotel.
Assim, o que não faltam são museus de caixa de fósforos e de selos comemorativos. Turistas vão a cidades que mostram como se fazem queijos franceses, relógios suíços e até para ver como se plantam tulipas holandesas. A variedade das coisas que pessoas comuns colecionam ou produzem é infinita, variada e surpreendente.
E os eventos? Cada cidade tem um evento mais excêntrico para atrair turistas. Na Califórnia, desde os anos 60 ocorre uma competição de empilhamento de copos! Na Inglaterra tem a “famosa” corrida do queijo! Os EUA e o Japão são especialistas nos campeonatos de comilança! Sabe o que estes campeonatos têm em comum? Todos são bem anunciados e levam turistas ao local onde ocorrem.
Agora vamos refletir: com recursos naturais, sol 320 dias por ano, um povo super-hospitaleiro, praias maravilhosas, restaurantes de primeira, o Brasil não deveria ter de 15 a 20% do seu PIB comandado pelo turismo? Hoje é menos de 10%! O que é mais interessante, uma competição de chamamento de pato ou uma linda cachoeira? Dobrar a receita com turismo não pode ser tão difícil para um país com tantos recursos.
Precisamos profissionalizar o setor, preparar nossas cidades. Possivelmente o leitor vai achar que leu errado, mas acreditem: dos mais de 5.500 municípios brasileiros, menos de 1.400 se cadastraram na Embratur como regiões com potencial para o turismo! Talvez tenham esquecido que toda cidade tem sua história, sua capacidade de criar um museu ou uma atração turística - nem precisa ser uma beleza natural. Você não conhece ninguém que viajaria horas para tomar a melhor cerveja ou o melhor vinho do país?
As cidades não precisam de lindas praias, cachoeiras Véu da Noiva ou vistas espetaculares para atrair visitantes. Chicago e Tóquio são provas concreta dessa afirmação. O erro de nossos administradores públicos é estratégico. Por anos, o governo financiou caríssimos hotéis, a juros subsidiados, que depois de prontos ficaram vazios porque as cidades não investiram em marketing turístico.
Esquecemos de criar museus, de colocar placas de sinalização. Nossos pontos turísticos não apresentam sequer cartazes de explicação em português, muito menos no idioma de nossos turistas (pelo menos o Inglês e Espanhol deveriam ser mais bem sinalizados). E mais: quando criaremos panfletos turísticos de qualidade internacional?
Você, caro leitor, quando acabar de ler este artigo faça o seguinte exercício: digite o nome da sua cidade.com na internet e veja o que aparece em termos de atrações turísticas. A net divulga tudo (o que se tentou propagar) para todo o mundo. Mas, o leitor ficará assustado: são raras as cidades que possuem, pelo menos, o próprio site. Ou seja, muito de vocês nada verão. Não é um absurdo?!
Como vamos atrair turistas agindo desta forma? Nem mesmo turistas brasileiros, quanto mais do resto do mundo. O marketing turístico é imprescindível! Os municípios brasileiros precisam contratar profissionais especializados, que consigam escapar das pressões políticas locais e se concentrem nos desejos do turista.
Foi-se o tempo em que uma nação poderia crescer focando-se apenas na agricultura e indústria. Cinqüenta por cento do PIB brasileiro já é dominado pelo setor de serviços. Precisamos agora aumentar a participação do turismo em nosso Produto Interno. Mas, como se exporta turismo? Por meio do turismo receptivo, que faz parte hoje em dia de toda nação bem-sucedida do mundo. Afinal, você acha que alguém prefere conhecer um museu de caixa de fósforos às lindas praias do litoral baiano? Você pensa ser melhor assistir a uma competição de “quem come mais bata-frita” numa metrópole a outra de pára-quedismo rodeada pela beleza da Chapada Diamantina?








