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19 de maio de 2012
COLUNAS

O Bispo

Dom Itamar Vian

O DIREITO DE TRABALHAR

30 ABR 2012 - 11:45h

No dia primeiro de maio de 1886, em Chicago, mais de 180 mil operários que trabalhavam entre 14 e 16 horas por dia, em sinal de protesto, pararam suas atividades, exigindo oito horas por dia. A resposta dos patrões veio com violência e seis operários morreram enquanto centenas ficaram feridos. A luta valeu. O direito foi reconhecido. Desse fato surgiu o Dia Internacional do Trabalho.

MAIS DE 120 anos depois, a preocupação é diferente. Já não se fala muito de número de horas, de salários e de condições de trabalho. O mundo está preocupado com a falta de empregos. Em poucos anos, a técnica diminuiu milhares e milhares de empregos nas empresas e colocou seus ocupantes na rua. A produção continua a mesma, mas com menos gente.

A ATITUDE de pedir emprego, muitas vezes, se assemelha a um pedido de esmola. O pedido é  feito de uma maneira mais ou menos envergonhado como se fosse algo errado, ou se ele tivesse culpa de não estar empregado. Na realidade, está exigindo um direito fundamental, o direito de trabalhar.

NOTÍCIAS denunciam crescimento do desemprego na América Latina e no mundo. Trata-se de um desemprego estrutural. A globalização da economia impõe profundas e sérias conseqüências, numa escalada sem precedentes. Em nível mundial, um chocante exército de 750 milhões de desempregados e subempregados reféns de um modelo de desenvolvimento econômico competitivo, concentrador e excludente.

NUMA borracharia, junto à Estrada do Mar, é possível ler: “Aquele que é pago, deve trabalhar; aquele que trabalha deve ser pago”. No Brasil, muitos podem ser enquadrados num outro ângulo: há os que ganham sem trabalhar e os que trabalham sem ganhar, ou ganhando muito pouco.

QUE O DIA 1º de maio seja uma oportunidade de reflexão para assumir compromissos em favor do bem comum, sem exceção, mas especialmente de resgate da dignidade dos trabalhadores. Sem trabalho e sem salários justos não há solução duradoura para a situação de milhares de famílias.

O PRÓPRIO Cristo quis ser um trabalhador manual, passando grande parte de sua vida na oficina de São José, o santo das mãos calejadas, o carpinteiro de Nazaré. Por intercessão do operário São José e de Nossa Senhora Aparecida, a grande padroeira de nosso povo, invocamos a proteção de Deus sobre os trabalhadores e suas famílias.


+ Itamar Vian
Arcebispo Metropolitano
di.vianfs@ig.com.br

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