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19 de maio de 2012
COLUNAS

Jorge Amorim

Vinte anos depois, cadê a juventude? (1ª parte)

14 MAI 2012 - 23:40h

Era o domingo 17 de maio tranquilamente acordado que, ainda no seu despertar, foi chocado pelos assassinatos de um governador e de um prefeito. Abatido com um tiro direto no coração, o então governador do Estado do Acre Edmundo Pinto, de 38 anos, dormiu para não mais abrir os olhos no paulistano hotel Della Volpe Garden.
Em outro ponto do Brasil, no município baiano de Varzedo, o prefeito Manoel José de Souza, apelidado de Nonô desde os tempos de mascate, então com 72 anos, teve a vida abreviada por três tiros quando saía, depois das seis horas da manhã, da sua residência.
Dois episódios causados por divergências políticas? Discordâncias pessoais? Denúncias de corrupção? Irregularidades administrativas? Pode ter sido tudo isto ou não, ou mesmo muito mais.
O contexto acima informado por nós ocorreu no ano de 1992. Ali também, em maio, começou a ser desenrolado um quilométrico novelo por Pedro Collor de Mello, o caçula da ala masculina da tradicional família empresarial dos Collor de Mello, em que estavam enrolados em corrupção seu irmão e, naquele momento, presidente da república Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias e outros membros da chamada “república das Alagoas”, triste mácula dada àquele Estado pela mídia.
Daquele mês até setembro do mesmo 1992, todos os dias eram veiculadas notícias de denúncias contra Fernando Collor desde a compra de um Fiat ELBA com dinheiro irregular até a construção dos jardins da famosa, invejada e copiada Casa da Dinda, residência não-oficial da família Collor de Mello localizada em Brasília. Toda essa celeuma fez com que a estudantada fosse para as ruas de diversas cidades brasileiras exigindo a saída de Collor, que ficou famoso por ter sido, quando governador do Estado de Alagoas (1987-1990), o “caçador de marajás”. Como passaram a ser chamados? Os “caras-pintadas”.
Os jovens que ornavam suas faces limpas ou tomadas por espinhas com as cores verde e amarelo da bandeira nacional brasileira transmitiram a possibilidade de renovação na política brasileira que, talvez, incidiria na sociedade.
Foi o brado da juventude rebelde descontente com os políticos corruptos, apoiada e – porque não dizer? – incentivada pela minissérie da rede Globo “Anos Rebeldes” (exibida entre 14 de julho e 14 de agosto de 1992), fictícia obra televisiva que reportava aos anos 60 do século XX, contudo fazendo a ponte com aquele 1992.
 É aqui que pára a alusão a generalizada “juventude rebelde”. Sabe por qual razão cara leitora ou caro leitor? Por motivo de que muitos dos rapazes e das moças pouco sabiam o que faziam ali; gostavam das interrupções de algumas aulas nos colégios secundários e nas faculdades; iriam para bares beberem e conversarem sobre tudo em primeiro plano, ficando para segundo o âmbito político que estremecia o país.
Partidos políticos de esquerda no período (PT, PC do B etc.), lideranças políticas oportunamente demagógicas e a UNE (União Nacional dos Estudantes), presidida em 1992 pelo atual senador da república do Brasil Lindberg Farias (PT/ Rio de Janeiro), conseguiram impulsionar o cenário pró “impeachment” de Fernando Collor em passo igual com a rede Globo.
Aqui e agora, pode-se forjar uma pergunta: hoje, em 2012, vendo o despejo diário de notícias de corrupção em esferas do governo federal, desvios de verbas públicas, superfaturamentos de obras feitos por empreiteiros patrocinadores de campanhas de políticos e tantas outras misérias brasileiras, os jovens não vão às ruas reivindicarem mudanças, o “impeachment” dos corruptos que ocupam cargos públicos e a devolução do erário público roubado?
A passividade e a alienação são, de fato, as anulações da juventude brasileira em sua maioria.
Esta discussão se alonga na nossa próxima coluna. Até lá.

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